O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) inicia nesta terça-feira (30) a sexta reunião do ano para estudar a economia doméstica, a situação econômica do exterior e, depois, redefinir a nova taxa básica de juros, a Selic, uma ferramenta do governo para conter o consumo e frear a inflação.
O encontro reúne o colegiado do BC e dura dois dias, com início hoje e término na quarta-feira (31). A definição sobre a manutenção ou alteração da taxa de juros sai na noite da quarta-feira. Atualmente, os juros básicos da economia estão em 12,5%.
A elevação da taxa básica de juros serve como instrumento do governo para frear a oferta de crédito, já que o dinheiro fica mais caro, e, assim, reduzir o consumo da população – desde a compra de casas, carros, eletrodomésticos até de serviços, entre outros – e, por fim, segurar a escalada da inflação.
Atualmente, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o termômetro oficial do governo para medir os preços, já acumula 6,87% nos últimos 12 meses – o que extrapola o limite imposto pelo próprio Planalto. Neste ano, de janeiro a julho, a inflação oficial está em 4,04%.
A meta para o indicador é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Isso quer dizer que poder chegar a 2,2% ou atingir 6,5%.
De olho nessa disparada da inflação, o governo sempre lança mão do aumento da Selic para segurar os preços. Desde abril de 2010, a Selic ainda não caiu e acumula altas e manutenções sucessivas.
Praticamente, todo mundo reclama – desde o comércio e indústria até os sindicatos - quando o governo eleva a taxa básica de juros. Os industriais e os comerciantes dizem que o aumento da taxa de juros encarece os investimentos em máquinas e novas tecnologias, o que impacta no mercado de trabalho e desagrada aos sindicatos.
O que deve acontecer
Antes de subir a taxa básica de juros, o governo sinaliza o que vai fazer com a Selic na ata que divulga após as reuniões. No quinto e último encontro, realizado em julho, o BC informou que a inflação mensal está em desaceleração, mas afirmou que o índice está acima do verificado no ano passado. Os gastos com alimentação e transportes são os que mais pesaram no bolso do consumidor nos últimos meses.
Para o restante do ano, o governo projeta desaceleração dos preços da gasolina, que deverá encerrar o ano 4% mais cara, e o bujão de gás deve continuar sem aumento. Por outro lado, o BC estima aumento das tarifas de telefonia fixa e eletricidade.
A elevação da meta do superávit primário, que é a economia do governo para pagar juros da dívida pública, em R$ 10 bilhões deve contribuir com a manutenção da taxa de juros, já que um dos objetivos da medida é reduzir o consumo.
Diante desse cenário e restando três reuniões até o fim do ano, o governo deve manter a taxa básica de juros em 12,5%. Esta, aliás, é a previsão dos analistas de mercado ouvidos pelo próprio BC para elaborar o Boletim Focus, que saiu na segunda-feira (29).
Fonte: R7