Publicado em: 24/03/2010 - 12h03min(167 dias atrás)
Caso Isabella: Perita depõe no terceiro dia de julgamento
O último depoimento previsto seria o de uma peça-chave da investigação.
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Rosangela Monteiro é testemunha-chave. Ela fez investigações no apartamento onde ocorreu o crime.
Para as testemunhas do segundo dia, a menina Isabella teria sido asfixiada e agredida antes de ser jogada da janela.
A primeira testemunha a ser ouvida hoje é a perita criminalRosangela Monteiro. Ela é considerada uma testemunha-chave. Ela fez as investigações dentro do apartamento onde ocorreu o crime.
Ontem, o segundo dia de julgamento terminou um pouco mais cedo. Apenas três testemunhas foram ouvidas, entre elas a delegada que investigou o caso. Renata Pontes disse ter 100% de certeza de que foi o casal Nardoni que matou Isabella.
A defesa já pensa em dispensar quatro de oito testemunhas a que tem direito.
“Certamente a defesa se vê prejudicada, porque é a última a falar, e os jurados estarão cansados. A defesa hoje à noite decidirá se tem uma decisão a tomar para amanhã, para tentar encurtar o andamento o julgamento”, disse o advogado de defesa Roberto Podval.
“Que dure dois, três, cinco ou dez dias, quinze dias, pouco importa. Eu sairei daqui certamente com um veredicto a ser dado pelo júri, que espelhe a verdade do processo”, apontou o promotor Francisco Cembranelli.
O julgamento atrai demonstrações de solidariedade. Uma delas foi da autora de novelas Glória Perez, que também teve uma filha assassinada.
A sessão começou de manhã. O casal Nardoni deixou logo cedo as penitenciárias onde estavam. Novamente, usavam uniformes de presidiários. No fórum, trocaram de roupa e, sentados, ouviram o primeiro depoimento do dia, o da delegada Renata Pontes, que comandou as investigações.
Respondendo à acusação, a delegada afirmou que a perícia encontrou manchas de sangue logo na entrada do apartamento. Ela mostrou a localização em maquetes do prédio e do apartamento dos Nardoni.
Um jurado quis saber se a roupa de Anna Jatobá tinha vestígios de sangue. A delegada respondeu que não.
A defesa perguntou se, durante as investigações, a polícia tomou café no apartamento do casal, o que poderia alterar a cena do crime. A delegada disse que a esposa do subsíndico levou café para os policiais e que nenhum deles mexeu na cozinha.
Renata Pontes afirmou que trabalhou com várias linhas de investigação e ouviu pessoas indicadas pela defesa. Contou ainda que mais de 30 policiais fizeram uma varredura ao redor do prédio em busca de alguém que pudesse ter invadido o apartamento, mas nada encontraram. A delegada disse ter 100% de certeza de que o pai e a madrasta mataram Isabella.
O depoimento durou quatro horas. No final, a delegada foi informada de que teria que ficar à disposição da Justiça, a pedido da defesa. É o mesmo caso da mãe de Isabella. Ambas estão no alojamento das testemunhas, incomunicáveis. A defesa criticou o trabalho da delegada.
“É alguém absolutamente ligada emocionalmente com a investigação. Acho que ficou claro que as investigações foram absolutamente voltadas a chegar à conclusão que ela queria”, afirmou o advogado de defesa Roberto Podval.
“É mais uma bravata que não encontra respaldo algum. A prova vem demonstrando categoricamente tudo o que a promotoria afirma, e é com esse espírito que eu sigo adiante no julgamento”, devolveu o promotor Francisco Cembranelli.
Depois da delegada, foi a vez do médico legista depor. Ele examinou o corpo de Isabella. Paulo Sérgio Tieppo Alves disse que os exames revelaram que a menina foi agredida antes de cair. O corpo apresentava marcas de esganadura, de unhas nas pálpebras e lesões típicas de quem foi jogado violentamente contra o chão. O legista afirmou que essas agressões foram decisivas para a morte e não a queda do sexto andar.
A avó de Isabella, que assistia ao julgamento, chorou e abandonou a sala quando o médico mostrou aos jurados as fotos do corpo da neta.
Como parte da estratégia, a acusação convocou o perito baiano Luiz Eduardo Dorea, especialista em analisar manchas de sangue em cenas de crimes. Segundo o perito, gotas de sangue caíram de um corpo em movimento e de uma altura superior a 1,25 metro no apartamento - o que sugere que Isabella foi carregada por alguém enquanto sangrava.
O último depoimento previsto seria o de uma peça-chave da investigação. Mas ele foi adiado para hoje.
Defesa e acusação aguardam com expectativa o depoimento da perita criminalRosangela Monteiro. O advogado que representa o casal Nardoni pretende estabelecer uma linha clara de que existe incoerência entre o que apurou a delegada Renata Pontes e o que foi registrado nos laudos produzidos pela perícia. O promotor espera esclarecer qualquer dúvida a respeito da investigação realizada.
Roberto Podval, advogado do casal não descarta a possibilidade de voltar a ouvir a mãe de Isabella, para confrontar a versão dela com a de Anna Carolina Jatobá. Isso aconteceria logo após o interrogatório dos réus.