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Publicado em: 05/09/2008 - 10h11min(77 dias atrás)

Diretores fazem balanço do Festival de Teatro Lusófono

Festival realizado no Piauí teve repercussão na capital Federal

Fonte: CCOM
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Festival realizado no Piauí teve repercussão na capital Federal

Foi uma semana de confraternização, discussão e troca de experiências entre artistas e diretores do Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e ainda uma mostra do Timor Leste, com a atriz Lucélia Santos. Ela participou da conferência Divulgação e Preservação da Língua Portuguesa no Mundo, mostrou trecho de seu novo filme "Destino". O trabalho é uma co-produção entre Brasil e China, e antes de ir para o cinema estréia na televisão como minissérie.

A atriz apresentou 3 minutos de Destino e trouxe para o público do festival o documentário 'Timor Leste - o massacre que o mundo não viu'. O filme revela imagens de um país totalmente destruído por conta da invasão da Indonésia, em que 1/3 da população foi dizimada. Para Lucélia, foi uma experiência única na vida, em que ela aprendeu a ser forte.

A atriz enalteceu a realização do festival, que tem o apoio do Governo do Estado, e disse que propostas semelhantes devem ter continuidade, sobretudo, quando é focado na valorização do idioma. “Precisamos falar bem o português, conjugar os verbos”, afirmou a atriz, declarando que atualmente, a língua tem muitas influências da Internet.

A diretora portuguesa Gisela Canãmero veio ao Piauí pela primeira vez, mas já esteve no Rio de Janeiro e Cabo Frio no Encontro de Contador de Histórias. Ela trouxe para o Piauí os espetáculos 'Camões é um poeta rap'. Nele, a diretora garante que não modificou os versos do poeta maior de Portugal. A intenção é mostrar Camões como um poeta popular, atual e que trata de temáticas bem modernas, abordando as injustiças, membros do poder e traz para os jovens uma lição de vida. “Camões passou por vários problemas emocionais, mas nunca desistiu”, disse.

A portuguesa apresentou ainda 'As Velhas', com a Cia. de Artes Públicas de Beja, um espetáculo intimista que retrata o universo das mulheres na terceira idade. A atmosfera da peça é conduzida por Etelvina e Ifigênia, duas senhoras com idades em torno dos 70 anos, que recebem o público em uma sala de estar para uma espécie de tertúlia literária. O encontro é preenchido por música, humor, poesias e reflexão social.

Entre os textos recitados em 'As Velhas' constam obras de Camões, Baudelaire, Ferreira Gullar e Augusto dos Anjos, entre outras referências literárias.

Pelos palcos do Cine Teatro da Assembléia Legislativa, Teatro João Paulo II, Theatro 4 de Setembro, Espaço Trilhos e Praça Pedro II receberam os espetáculos 'Nojo', do Grupo de Teatro Serpente (Angola); 'O Marinheiro', da A e C. Companhia de Teatro (Teresina-PI); 'Mulheres na Lajinha', do Grupo de Teatro Centro Cultural Português do Mindelo (Cabo Verde); 'Pedro e o Lobo', do Teatro Extremo (Portugal);'Mercadorias e Futuro', com o cantor Lirinha (Recife-PE); 'Magia Negra e O esqueleto do Cozinheiro Akli', do Teatro Fórum de Moura (Moçambique); 'Mistério Cômico', com o ator português Paulo Duarte;''Instantâneo', do Núcleo de Teatro do João Paulo II; 'Chá das Quintas', da Cia. de Teatro da Cidade (Teresina-PI); 'Conversa de Lavadeiras', com a Trupe Caba de Chegar (Fortaleza-CE); dentre outros.

A escritora Isabel Vicente, da Angola, também marcou presença no festival e participou da conferência Dramaturgia Lusófona. Para a escritora, que já esteve no Brasil fazendo o lançamento de livros na Academia Brasileira de Letras, o Brasil, especialmente, o Rio de Janeiro tem muitas semelhanças com a Angola. Isabel, que trabalhou no serviço militar da Angola, disse que ingressou no Exército em razão de uma mobilização para que todos os jovens se envolvessem na defesa do país e no serviço militar fazia parte de um grupo de animação.

A escritora, que mora em Portugal, trouxe para o Piauí um panorama da dramaturgia angolana e disse que ama a literatura e gosta de escrever romances contextualizados na Angola. Para ela, a literatura é mais viável, por se tratar de uma atividade em que trabalha sozinha. O teatro, segundo ela, é coletividade e exige mais pessoas envolvidas.


Festival é comentado em Brasília

O Festival de Teatro Lusófono, que abrigou artistas e diretores de seis países de Língua Portuguesa, tomou dimensão maior do que a esperada. Segundo a presidente da Fundação Cultural do Piauí, Sônia Terra, que esteve em Brasília (DF), nesta quinta-feira, 28, durante a posse de Juca Ferreira no Ministério da Cultura, na capital federal o festival foi comentado.

“Esse festival tem um saldo muito positivo. As pessoas não acreditavam que o festival fosse tão grandioso”, disse, enaltecendo o projeto do Grupo Harém de Teatro e o apoio do Governo do Estado que apostou nessa idéia, tomando o festival como prioridade.

“A partir do Piauí, abrimos espaços para discussão da lusofonia e há propostas de realizarmos o evento no Piauí e Bahia no próximo ano, e o diretor José Celso Martinez sugeriu a circulação do festival para vários Estados”, disse Sônia.

O coordenador do festival, Francisco Pellé, declarou que o evento superou todas as expectativas e colocou o Estado no patamar mais alto das artes cênicas do Brasil. Ele destacou a importância das conferências que trouxeram, além de informação e formação, a opinião de diretores renomados a respeito do teatro.

Entre os temas propostos e que não estava no programa foi o novo acordo ortográfico, que deve entrar na pauta do próximo ano. “Também não estava na programação a elaboração da Carta Lusófona de Teresina, que foi elaborada no final e foi focada no compromisso de grupos e pessoas no avanço da integração, confraternização e intercâmbio”, afirma, declarando ainda que a carta contém a defesa de liberdade de expressão no Timor Leste. Pelo que foi mostrado e discutido, Pellé informa que o evento tem vida longa.


Fonte: CCOM




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