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Publicado em: 11/07/2008 - 17h12min(1411 dias atrás)

Farc diz que resgate de Ingrid Betancourt foi traição

Dois chefes teriam traido as Forças Revolucionárias da Colômbia

A operação de resgate de Ingrid Betancourt e outros 14 reféns foi possível por causa da traição de dois chefes rebeldes que os custodiavam, afirmou nesta sexta-feira a guerrilha colombiana das Farc em um comunicado divulgado na internet.


"A fuga dos 15 prisioneiros de guerra, em 2 de julho passado, foi conseqüência direta da desprezível conduta de (Gerardo Aguilar alias) Cesar e (Alexander Farfán) Enrique, que traíram seu compromisso revolucionário e a confiança que neles foi depositada", assinalou o texto.


O documento assinado pelo secretariado (cúpula) e divulgado na página da Agência Bolivariana de Imprensa, tem data de 5 de julho.

Na nota, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) asseguram que mantêm "vigente nossa política para concretizar acordos humanitários que obtenham o intercâmbio e, além disso, protejam a população civil dos efeitos do conflito".
Ameaça.


Na primeira comunicação das Farc desde o resgate, as Farc mandaram um alerta ao presidente colombiano Álvaro Uribe ao afirmarem que governo colombiano terá de assumir "as consequências" se insistirem com a política de resgate militar dos reféns que ainda estão em poder do grupo armado.


"Se persistir o resgate como única via, o governo deve assumir todas as consequências de sua temerária e aventureira decisão", diz o comunicado.


Até a libertação de Betancourt e dos demais reféns, os resgates militares eram duramente criticados por familiares e parte da opinião pública colombiana por representar um grande risco para os reféns.


O comunicado da guerrilha foi divulgado no mesmo dia em que os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Venezuela, Hugo Chávez, se reúnem na Venezuela em uma primeira aproximação depois da crise diplomática que se arrastou durante oito meses entre os dois países e que teve como começo as negociações com a guerrilha para um acordo humanitário.


No documento, datado do dia 5 de julho, as Farc afirmam que apesar do "episódio" de resgate, mantêm a intenção de negociar o acordo que prevê a libertação de seqüestrados em troca de guerrilheiros presos.


"Inerente a qualquer confrontação política e militar, em que se apresentam vitórias e reveses, mantemos vigente nossa política por concretizar acordos humanitários que alcancem o intercâmbio (de reféns por guerrilheiros) e, além disso, protejam a população civil dos efeitos do conflito."


A guerrilha afirma que a paz para a Colômbia "deve ser resultado de acordos que beneficiem a maioria. Não deve ser a paz de sepulcros sustentada sobre a corrupção, o terror de Estado, deslealdade e a traição", diz o comunicado.


De acordo com a versão do governo colombiano, os militares do país interceptaram as mensagens de César com o membro do secretariado Mono Jojoy. Fazendo-se passar por Mono Jojoy, os agentes teriam dado instruções ao carcereiro para agrupar os 15 reféns, que estavam separados em três grupos diferentes.


Logo depois, o governo colombiano armou uma encenação simulando que os reféns seriam entregues a uma missão humanitária internacional, similar à realizada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para o resgate de seis reféns que as Farc entregaram unilateralmente no início deste ano.


O governo dos EUA pediu à Bogotá a extradição de César e Enrique para serem julgados pelos tribunais americanos pelo crime de seqüestro dos três contratistas norte-americanos e por tráfico de armas.


Breve histórico


O exército colombiano libertou, no dia 2 de julho, Ingrid Betancourt e mais 14 reféns das mãos das Farc (Forças Armadas Revoluicionárias da Colômbia).


Segundo informações dos militares, a operação "xeque", como foi chamada, foi deflagrada em inteiro sigilo pelo exército e governo colombiano, a ponto dos próprios reféns acreditarem que o helicóptero que estava na selva seria para transportá-los para outro cativeiro, e não para a liberdade. Os reféns só souberam que seriam libertados quando soldados prenderam os integrantes das Farc e anunciaram que eram do exército da Colômbia.


Essa versão chegou a ser questionada por uma rádio suiça, que afirmou que França e Colômbia fizeram um acordo com as Farc e acertaram o pagamento de US$ 20 milhões para a libertação dos reféns.


A informação foi desmentida por autoridades francesas e colombianas que reafirmaram que a operação foi fruto de investigação e inteligência do exército do país.



Fonte: IG




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