Publicado em: 17/03/2010 - 15h43min(693 dias atrás)
Jovem que levou Carlos à chácara diz que é vítima
Ele se diz vítima e explica como foi o momento da fuga.
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Carlos Eduardo, que confessou o crime, disse que resolveu atirar no cartunista quando viu que Felipe Iasi tinha fugido.
O estudanteFelipe Iasi, que levou o assassino do cartunistaGlauco e do filho até a chácara da família, deu uma entrevista exclusiva ao repórter César Tralli. Ele se diz vítima e explica como foi o momento da fuga. Diz que ficou sob a mira de uma arma e que fugiu assim que Carlos Eduardo se distraiu.
Filho de médico e mãe psicóloga, o estudanteFelipe de Oliveira Iasi cresceu ouvindo falar do perigo das drogas. Mas foi por causa de maconha que ele conheceu Carlos Eduardo, hoje um assassino confesso.
“A relação que eu tinha com ele era extremamente simples. Só para sair, tomar uma cerveja com a galera e eventualmente fumar um cigarro de maconha”, conta Felipe.
Foi para fumar maconha que Felipe buscou Carlos Eduardo de carro. Mas conta que caiu em uma armadilha.
“Ele anunciou que era um sequestro, já ficou nervoso, mudou. Nunca o tinha visto desse jeito”, diz.
Segundo Felipe, ele foi obrigado a levar Carlos Eduardo até uma chácara. Lá, Cadu rendeu e agrediu quem encontrou pela frente.
“Deu um soco na cara do Glauco, ele já ficou todo nervoso também. A mulher tentou intervir. Ele deu uma coronhada na cabeça da mulher, sangrou”, descreve o estudante.
A viúva de Glauco, Beatriz Galvão, reclamou do comportamento de Felipe: “Enquanto o Cadu fazia toda essa barbaridade ele ficou sentado no sofá. Entendeu? Eu falei ‘ajuda’ e ele fez que não com a cabeça”, disse a viúva de Glauco, no domingo.
Felipe se defende: “O que ela queira que eu fizesse? Entrasse na frente de peito aberto e dissesse ‘não faz nada?’ Eu não sabia do que ele era capaz”
A viúva também disse que, logo depois do crime, Felipe e Cadu foram embora de carro: “Na hora do crime ele podia ter corrido, mas não. Ele esperou o Cadu e foi ele que levou o Cadu embora”.
Mas, em depoimento à polícia, ela declarou que não viu os dois saindo juntos. Felipe reafirma: “Eu fugi de lá sem ouvir nada. Não sabia o que tinha acontecido com aquela família”.
E diz como foi a fuga: “Nessa hora que estava no portão, meio que olhando, não estou sob mira da arma, estou fora da discussão - é agora que eu vou embora”.
Repórter – Quando você fugiu da casa por que não chamou a polícia?
Felipe - Eu estava com tanto medo. A única coisa que queria era chegar em casa. Fui o mais rápido possível, achando que ele podia estar atrás de mim. Por isso eu não pensei em ligar para minha mãe, para a polícia ou para quem quer que seja. Umas 10h eu acordei, entrei na internet e qual a primeira coisa que eu vejo? Que os dois tinham morrido.
Repórter - Você se considera cúmplice ou vítima desses crimes?
Felipe - Eu me considero vítima, sou vítima, nada de cúmplice. Não o ajudei em nada, fui coagido, com arma apontada para minha barriga e minha cabeça. Eu não queria estar lá.
O advogado de Felipe agora vai pedir um depoimento frente a frente entre o jovem, a viúva de Glauco e uma testemunha que disse à policia que viu um vulto saindo com Carlos Eduardo na hora da fuga.
Repórter - Isso muda a sua vida, de alguma fora?
Felipe - Com certeza. A coisa que mais penso é na minha família, pessoas que envolvi por causa disso. Se Deus quiser isso vai acabar, quero ficar com minha família o máximo possível, com as pessoas que gostam de mim e me ater a isso. Não fazer coisas que possam me denegrir.
Não há previsão de quando será feita a transferência do acusado pelo assassinato do cartunistaGlauco para São Paulo. Carlos Eduardo ainda vai permanecer na carceragem da Polícia Federal no Paraná, onde responde por tentativa de homicídio, por ter baleado um policial.
Carlos Eduardo Nunes conta quando decidiu atirar contra Glauco
O crime está esclarecido, diz a polícia. O assassino confessou. Carlos Eduardo Nunes contou em detalhes como matou o cartunistaGlauco Villas Boas e o filho dele, Raoni. Ele vai continuar preso em Foz do Iguaçu (PR).
A polícia vai fazer a reconstituição da tentativa de fuga de Carlos Eduardo, na Ponte da Amizade, até o início da semana que vem. O advogado de defesa ainda não decidiu se Carlos Eduardo vai participar.
Ele também está sendo acusado de tentativa de homicídio em Foz do Iguaçu, por ter ferido um policial federal durante essa tentativa de fuga.
No depoimento, ontem à tarde, ele confessou o assassinato de Glauco para o delegado que comanda a investigação. O interrogatório durou três horas. Ele reforçou que a intenção não era matar o cartunista, apenas sequestra-lo. Ele disse ao delegado que o crime foi planejado.
Cadu, como é conhecido, contou que foi à chácara não para matar Glauco, mas para convencer a cartunista a dizer à mãe que ele seria Jesus Cristo. Disse que resolveu atirar em Glauco quando viu que Felipe, que o levou até a chácara, tinha fugido.
Carlos Eduardo continua em uma cela, sozinho. Fez um exame toxicológico.