Publicado em: 17/07/2010 - 11h44min(52 dias atrás)
Músico preso por plantar maconha teme que caso se repita
Neurocientistas fizeram carta em apoio ao baixista.
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Pedro Caetano ficou 14 dias preso como traficante de drogas.
O músico carioca Pedro Caetano, o “Pedrada”, vê os 14 dias em que esteve preso acusado de tráfico de drogas por plantar maconha em sua casa como uma “lição de vida” e diz que seu maior temor é que isso aconteça com outra pessoa. Caetano foi liberado após a promotoria trocar a acusação de tráfico pela de posse de substâncias ilícitas.
“Ainda há confusão sobre quem é usuário e quem é traficante. Não sou traficante. Plantava para o meu consumo, para não dar poder aos traficantes. O que aconteceu comigo não pode acontecer com mais ninguém”, disse ele em entrevista .
Caetano, baixista da banda de reggae Ponto de Equilíbrio, foi preso em sua casa em Niterói em 1º de julho após uma denúncia anônima ter levado a polícia a sua casa. “Não sei quem foi. Deve ter sido alguém da vizinhança, que se incomodou. Dava para ver a plantação do quintal, alguém pode ter visto do alto, não sei. ”, afirma.
Nos 14 dias em que esteve preso, Caetano recebeu o apoio de amigos e fãs, até que uma nova promotora do caso retirou a acusação de tráfico e reapresentou seu caso, o acusando apenas de posse de substância ilícita. Na quarta (14), ele foi liberado após autorização de um juiz.
“Sigo a religião e a filosofia do rastafári. Não sou bandido. Sou um cara trabalhador, que tem a vida resolvida. Sustento minha família com meu trabalho”, afirma. Ele conta que plantava a droga há cinco anos para “não sustentar o tráfico e não correr riscos de saúde”.
Sobre a carta que quatro neurocientistas fizeram para defender a sua libertação, ele se diz agradecido. “Teve um impacto grande. A gente precisa disso, de pessoas renomadas e inteligentes se posicionando. É um assunto importante, o que aconteceu comigo pode acontecer de novo”, afirma.
Caetano defende a descriminalização do uso recreativo da maconha. “Passei 14 dias lá sem fumar e não sofri nada. Não sou viciado. Estou sem fumar até agora, sem problemas”, conta.
Cabeça raspada
Ao chegar na delegacia, em São Gonçalo, teve que aguardar o fim do jogo entre Brasil e Holanda, na manhã do dia seguinte, 2 de julho, para ser processado na carceragem.
“Foi o momento mais difícil. Cheguei ali, tinha 18 presos na cela, um monte de gente, uma coisa suja, meio assustadora. Eu não sabia o que ia acontecer e tinha que esperar o jogo acabar para eles virem falar comigo”, conta.
Antes de ser enviado a sua cela, Caetano teve que raspar os longos cabelos com “dreadlocks” e a barba, que cultivava há mais de três anos. “Era uma questão de higiene. Tem muita gente ali, eles precisam manter o controle. Eu compreendi. Fiquei chateado, mas era uma coisa que precisava ser feita. Entendo o motivo”, afirma.
De São Gonçalo, o baixista foi levado à Polinter do Grajaú, onde ficou os 13 dias seguintes, em uma cela com outros dois presos.
“Dei sorte. A cadeia tem divisões, como a sociedade. Tem as celas pro povão, onde tem 70 pessoas num espaço de 40 metros quadrados. Daí tem as celas pro povão ‘especial’, com menos gente. E as celas pra universitário e quem tem dinheiro, em que o cara fica sozinho. Eu fiquei na intermediária, eu e mais dois em uma cela de uns nove metros quadrados.”
Caetano era o único preso por envolvimento com maconha. Seus companheiros de cela eram um acusado de assassinato e um acusado de pedofilia. “O acusado de assassinato era culpado mesmo, ele matou a mulher. O outro foi acusado injustamente. Eu vi a índole dele, não era uma má pessoa”, conta.
Apesar de avaliar a experiência como “horrível”, Caetano diz que conheceu muita “gente de bem” na Polinter. “Não sofri violência nenhuma. Os policiais me trataram com muito respeito. Os presos também. A igreja evangélica faz um trabalho importante lá dentro, é muito presente, leva conforto e deixa a experiência toda menos dolorida”, avalia.
Um dos policiais da Polinter que conheceu Caetano enquanto o músico esteve preso afirmou que seu comportamento era "normal" e que não houve problemas durante o período em que ele esteve na carceragem.