Publicado em: 16/08/2010 - 09h49min(541 dias atrás)
Processo de indenização demora 25 anos em Fortaleza
É lenta a lentidão da Justiça brasileira.
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Os personagens poderiam ter desaparecido. A história poderia ter caído no esquecimento. Veja como ainda é lenta a lentidão da Justiça brasileira.
Na Estação Ferroviária de Fortaleza, após 25 anos de um acidente, nada mudou. Os buracos na grade de proteção da ferrovia - que permitiram que um menino de 7 anos invadisse a linha do trem e fosse atropelado - ainda estão lá.
Na época, a mãe entrou com um pedido de indenização na Justiça Estadual do Ceará, por causa da falta de manutenção na grade. Ganhou em primeira instância. Mas a rede ferroviária recorreu.
Oito anos depois do acidente e de muitas idas e vindas na Justiça, a mãe do menino, Ana Maria Gomes de Sousa, morreu sem que a rede ferroviária aceitasse um acordo. A companhia acabou extinta e a União passou a responder por ela em um processo cheio de recursos que se arrastou por 25 anos.
Neste ano, desembargadores do Tribunal Regional Federal do Recife determinaram o pagamento da indenização, mas, não conseguiram localizar o beneficiário: o irmão do menino acidentado. Ele morava com a avó em um endereço onde, hoje, há apenas um muro.
Pesquisamos os arquivos de um jornal e descobrimos outro endereço em uma nota sobre o acidente. Um morador nos levou até uma tia do rapaz. Bastou um dia para encontrarmos Sérgio, de 23 anos. A notícia da indenização surpreendeu o rapaz, que hoje é zelador de um hospital.
“É uma emoção. Eu esperava muito isso aí e, agora, aconteceu", comemora o zelador.
Sérgio foi até ao Recife com uma tia para se apresentar ao tribunal.
"Se ele não fosse localizado, realmente nunca foi atualizado o endereço da família e o processo acabaria aqui. Não se faria o que é nosso dever: Justiça", explica a desembargadora Margarida Cantarelli.
“Fiquei feliz em saber que eu não estava sozinho nesta história, tem muita gente por trás disso", elogia o zelador Maxsandro de Sousa.