Publicado em: 22/04/2010 - 14h20min(138 dias atrás)
Programa atende pais de dependentes de drogas
Um novo programa oferece atendimento separado para pais e para dependentes
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As reuniões ajudam na orientação de como agir para ajudar jovens envolvidos com drogas.
Dependente de drogas aos treze anos de idade. “Comecei a fumar com maconha, depois fui para a cocaína, daí fui usando todos os tipos de drogas que apareciam”.
O depoimento de Maximiliano Siqueira, que foi ao ar na novela Viver a Vida é de superação. “Eu decidi fazer psicologia. Quando eu me formei, decidi me especializar em dependência química e em terapiafamiliar”.
Hoje ele trabalha no ambulatório da Universidade Federal de São Paulo que trata dependentes químicos. Um grupo de psicólogos desenvolve há um ano um programa que atende não só o dependente, mas também a família. Uma vez por semana, os terapeutas conversam com os pais e com os jovens em reuniões separadas.
“Como foi a semana?”
“A semana foi bem melhor que as outras. Tem acordado no horário, respeitado o compromisso”.
Um pai procurou o tratamento antes do filho. O jovem de 19 anos usa drogas há quatro. A tentativa de controlar o rapaz não funcionou. Agora o pai passou a mostrar claramente quais são os limites.
“Ele não queria mudar até algum tempo atrás. Agora ele está vendo que o negócio vai começar a ficar pesado pra ele, se ele não tomar atitude mais drástica”.
As famílias passaram a ser acompanhadas depois que os terapeutas notaram que dentro de casa o ambiente não ajudava. Brigas, conflitos, desentendimentos.
Pais que tentavam controlar ou que não faziam cobranças, prejudicavam o trabalho. Para alguns jovens era preciso dar liberdade e para outros impor limites.
Depois que recebeu orientação, outro pai conseguiu que o filho parasse de usar drogas. “Horário pra chegar, amizades que podem ou não podem continuar, estudo é a sua prioridade de vida”.
Segundo os terapeutas, quando os pais descobrem que os filhos são dependentes químicos, cometem alguns erros como:
Ligar demais para eles, sem deixar claro o que de fato é a obrigação.
Acreditar tanto, que não desconfiam das histórias contadas.
Há casos de pais que encontram a droga na bolsa do filho e a devolve depois que o jovem conta que aquilo era de um amigo.
Há também pais que, mesmo sabendo da dependência, continuam dando dinheiro sem cobrar explicações.
“Atitudes como dar o carro o filho. E fala olha te dou o carro para parar de usar drogas”, diz Cristina Renner, psicóloga da Unifesp.
Os especialistas dizem que antes de tomar qualquer decisão o ideal é procurar ajuda.
“Ter um lugar onde os pais possam tirar as duvidas, colocar suas angústias e se instrumentalizar pra de fato conseguir ajudar o adolescente”, declara Denise de Micheli, coordenadora de atendimento adolescestes - Unifesp.
O programa de orientação a pais e adolescentes da Unifesp é gratuito e há vagas. O telefone para agendamento é (11) 5549-2500.