O PT do Piauí defende um critério que torna ainda mais complexo o processo de escolha do candidato da base governista. Além de bem aceito pela população, ter boas relações políticas e ser comprometido com o “projeto de desenvolvimento do Piauí”, o escolhido terá que apoiar, obrigatoriamente, a candidatura da ministra Dilma Russeff (Casa Civil) à presidência da República.
“O PT Nacional colocou que a prioridade zero do partido é a eleição da companheira Dilma. Desta forma, é inadmissível que o candidato a governador da coligação em que o PT estiver não apoie ou apoie mais ou menos a nossa candidata a presidente”, defendeu deputado João de Deus, líder do PT na Assembleia Legislativa.
Esse posicionamento mostra que o PT vai endurecer o máximo possível antes de declarar apoio a qualquer pré-candidato que não seja o petista Antônio José Medeiros. A nova exigência pode afetar, por exemplo, coligações com o PTB, do senador João Vicente Claudino, e o PSB, do vice-governador Wilson Martins, ambos pré-candidatos ao governo.
Porque? Pelo PSB, o deputado federal Ciro Gomes mantém a pré-candidatura à presidência. Caso o parlamentar oficialize a candidatura, o vice-governador estará diante de um dilema: virar as costas para o partido ou para o PT do governador Wellington Dias?
O mesmo acontece com o senador João Vicente Claudino. O PTB não disputará a presidência, mas há uma ala do partido que é contra a coligação com os petistas. Entre os opositores do PT está o ex-deputado Roberto Jefferson, pivô do “mensalão” e presidente nacional da sigla.
Porém, nos bastidores políticos do Piauí há uma informação que PTB e PT nacionais já conversam sobre o apoio à ministra Dilma. A moeda de troca seria a candidatura de João Vicente ao governo do Piauí.
Nessa cenário, a situação mais confortável é a do deputado federal Marcelo Castro, pré-candidato pelo PMDB. O partido segue em franca manobra para se aliar ao PT, indicando o deputado Michel Temer para ser o vice na chapa da ministra Dilma Rousseff. Pesa contra o parlamentar do Piauí o baixo desempenho nas pesquisas de intenção de votos.
Mais critérios
O PT endureceu em outros pontos para emplacar a candidatura do petista Antônio José Medeiros. O deputado estadual Fábio Novo, presidente da sigla no Piauí, defende publicamente que, Wellington Dias abrindo mão da candidatura ao senado e permanecendo no governo, o PT tem prioridade na disputa do governo.
Os petistas criaram uma teoria para justificar essa postura. Segundo eles, se o governador não se afastar do governo, é porque o acordo entre os aliados foi quebrado. Assim, os três critérios estabelecidos para a escolha do candidato (aceitação popular e política e compromisso com o projeto) não serão levados em conta. Eles só valem em um cenário de manutenção da base.
Wellington aparece bem nas pesquisas para o Senado. Ele desistindo da candidatura, o PT entende que sofrerá “um prejuízo muito grande”; que será um “sacrifício”. E, assim, defende como compensação a candidatura do secretário estadual de Educação, Antônio José Medeiros, ao governo.
Fonte: Da Redação